A dor no baixo-ventre e na pélvis pode vir de lugares diferentes: dos órgãos reprodutores, da bexiga, do intestino, e também dos músculos, dos nervos e da coluna. A sensação, por si só, não consegue identificar a causa — e não tem de o fazer. O seu papel não é o diagnóstico, é a descrição. Uma boa descrição ajuda genuinamente o médico, e qualquer uma de nós consegue prepará-la.
Basta responder para si mesma a algumas perguntas:
Onde dói? De um lado, ao meio, em baixo, acima do púbis? A dor «irradia» para algum lado — para a zona lombar, a virilha, a coxa?
Quando dói? Quando começou? É constante ou vem por episódios? Está ligada à menstruação, ao sexo, a urinar ou evacuar, ao movimento?
Que tipo de dor é? Surda, aguda, em cólica, em pressão? Mais forte do que algo que conhece (por exemplo, a sua dor menstrual habitual)?
O que a altera? Alguma coisa alivia (uma posição, o calor, um analgésico) e alguma coisa agrava?
O que é que ela impede? O sono, o trabalho, o movimento, a intimidade?
Não precisa de respostas para tudo — cada uma ajuda. Pode escrevê-las em papel ou no telemóvel, mas pode igualmente apenas contar: as notas são uma ajuda, não uma condição da consulta.
Uma coisa importa mais do que toda a descrição: uma dor que dura, volta ou limita a sua vida merece uma consulta — marque-a para a data mais próxima disponível em vez de esperar até aprender a «descrevê-la melhor».
Ajuda urgente: uma dor súbita e muito forte — sobretudo com febre, desmaio, vómitos persistentes ou hemorragia abundante — é uma situação para contacto médico urgente. Na gravidez, comunique de imediato qualquer dor preocupante à sua parteira ou ao seu médico.
Fontes: [1] NHS — Pelvic pain; [2] RCOG — Long-term pelvic pain (informação para pacientes).